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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Vida e Obra de Machado de Assis


Machado de Assis

(...) Assim são as páginas da vida,
como dizia meu filho quando fazia versos,
e acrescentava que as páginas vão
passando umas sobre as outras,
esquecidas apenas lidas.

"Suje-se Gordo!"

Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentará o autodidata Machado de Assis.
  
De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando.
  
Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender.  Consta que, em São Cristóvão, conheceu uma senhora francesa, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de Francês. Contava, também, com a proteção da madrinha D. Maria José de Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento Barroso Pereira, proprietária da Quinta do Livramento, onde foram agregados seus pais.
 
Aos 16 anos, publica em 12-01-1855 seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época, tendo publicado o citado poema e feito de Machado de Assis seu colaborador efetivo.

Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e começa a escrever durante o tempo livre.  Conhece o então diretor do órgão, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias, que se torna seu protetor.

Em 1858 volta à Livraria Paula Brito, como revisor e colaborador da Marmota, e ali integra-se à sociedade lítero-humorística Petalógica, fundada por Paula Brito. Lá constrói o seu círculo de amigos, do qual faziam parte Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, José de Alencar e Gonçalves Dias.

Começa a publicar obras românticas e, em 1859, era revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil. Em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro. Além desse, escrevia também para a revista O Espelho (como crítico teatral, inicialmente), A Semana Ilustrada(onde, além do nome, usava o pseudônimo de Dr. Semana) e Jornal das Famílias.
 
Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como tradutor.  No ano de 1862 era censor teatral, cargo que não rendia qualquer remuneração, mas o possibilitava a ter acesso livre aos teatros. Nessa época, passa a colaborar em O Futuro, órgão sob a direção do irmão de sua futura esposa, Faustino Xavier de Novais.
 
Publica seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas.
 
Em 1867, é nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial.

Agosto de 1869 marca a data da morte de seu amigo Faustino Xavier de Novais, e, menos de três meses depois, em 12 de novembro de 1869, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais.

Nessa época, o escritor era um típico homem de letras brasileiro bem sucedido, confortavelmente amparado por um cargo público e por um  casamento feliz que durou 35 anos. D. Carolina, mulher culta, apresenta Machado aos clássicos portugueses e a vários autores da língua inglesa.

Sua união foi feliz, mas sem filhos. A morte de sua esposa, em 1904, é uma sentida perda, tendo o marido dedicado à falecida o soneto Carolina, que a celebrizou.
 
Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872.  Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabiliza-se na carreira burocrática que seria o seu principal meio de subsistência durante toda sua vida.
 
No O Globo de então (1874), jornal de Quintino Bocaiúva, começa a publicar em folhetins o romance A mão e a luva. Escreveu crônicas, contos, poesias e romances para as revistas O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira.
Sua primeira peça teatral é encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II em junho de 1880, escrita especialmente para a comemoração do tricentenário de Camões, em festividades programadas pelo Real Gabinete Português de Leitura.

Na Gazeta de Notícias, no período de 1881 a 1897, publica aquelas que foram consideradas suas melhores crônicas.
Em 1881, com a posse como ministro interino da Agricultura, Comércio Obras Públicas do poeta Pedro Luís Pereira de Sousa, Machado assume o cargo de oficial de gabinete.
Publica, nesse ano, um livro extremamente original , pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas de Brás Cubas -- que foi considerado, juntamente com O Mulato, de Aluísio de Azevedo, o marco do realismo na literatura brasileira.
 
Extraordinário contista, publica Papéis Avulsos em 1882, Histórias sem data (1884), Vária Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1889), e Relíquias da casa velha (1906).
Torna-se diretor da Diretoria do Comércio no Ministério em que servia, no ano de 1889.

Grande amigo do escritor paraense José Veríssimo, que dirigia a Revista Brasileira, em sua redação promoviam reuniões os intelectuais que se identificaram com a idéia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de Letras. Machado desde o princípio apoiou a idéia e compareceu às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa.
É o fundador da cadeira nº. 23, e escolheu o nome de José de Alencar, seu grande amigo, para ser seu patrono.

Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.

Dizem os críticos que Machado era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar. ... A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre da observação psicológica.  ...  Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."

BIBLIOGRAFIA:

Comédia
Desencantos, 1861.
Tu, só tu, puro amor, 1881.
Poesia
Crisálidas, 1864.
Falenas, 1870.
Americanas, 1875.
Poesias completas, 1901.
Romance
Ressurreição, 1872.
A mão e a luva, 1874.
Helena, 1876.
Iaiá Garcia, 1878.
Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.
Quincas Borba, 1891.
Dom Casmurro, 1899.
Esaú Jacó, 1904.
Memorial de Aires, 1908.
Conto:
Contos Fluminenses,1870.
Histórias da meia-noite, 1873.
Papéis avulsos, 1882.
Histórias sem data, 1884.
Várias histórias, 1896.
Páginas recolhidas, 1899.
Relíquias de casa velha, 1906.
Teatro
Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861
Desencantos, 1861
Hoje avental, amanhã luva, 1861.
O caminho da porta, 1862.
O protocolo, 1862.
Quase ministro, 1863.
Os deuses de casaca, 1865.
Tu, só tu, puro amor, 1881.
Algumas obras póstumas
Crítica, 1910.
Teatro coligido, 1910.
Outras relíquias, 1921.
Correspondência, 1932.
A semana, 1914/1937.
Páginas escolhidas, 1921.
Novas relíquias, 1932.
Crônicas, 1937.
Contos Fluminenses - 2º. volume, 1937.
Crítica literária, 1937.
Crítica teatral, 1937.
Histórias românticas, 1937.
Páginas esquecidas, 1939.
Casa velha, 1944.
Diálogos e reflexões de um relojoeiro, 1956.
Crônicas de Lélio, 1958.
Conto de escola, 2002.
Antologias
Obras completas (31 volumes), 1936.
Contos e crônicas, 1958.
Contos esparsos, 1966.
Contos: Uma Antologia (02 volumes), 1998

Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da Educação e Cultura, organizou e publicou as Edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes.

Seus trabalhos são constantemente republicados, em diversos idiomas, tendo ocorrido a adaptação de alguns textos para o cinema e a televisão.



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Mistério na China: Água virou sangue?


 Os habitantes da cidade de Chongqing, no sudoeste da China, ainda estão espantados com a estranha mudança de cor do rio Yang-Tsé, o mais extenso da China, que se tornou vermelho desde quarta-feira. No início, algumas pessoas associaram a mudança de cor com um recente terremoto na província de Yunnan, que causou cerca de 100 mortes, enquanto outros associaram o episódio com mensagens apocalípticas. A população local diz que se trata dos efeitos da poluição, devido à grande atividade industrial na região, enquanto as autoridades relataram, por meio da cadeia de televisão NTD, que é simplesmente areia.

Relatórios oficiais dizem que o fenômeno responde aos efeitos causados ​​pelas recentes inundações em várias seções do rio, que teriam removido muita areia e mudado a cor do rio para um vermelho brilhante.

Embora o relatório destaque que não havia nenhuma evidência de resíduos tóxicos, grupos de cidadãos questionaram a veracidade da pesquisa.


Nota 1: Num país em que a pregação do evangelho é dificultada e em que o ateísmo estatal ainda predomina, que seja pelo espanto que alguns se voltem para Deus. É interessante notar que o fenômeno persiste desde quarta-feira sem explicações convincentes e que algumas pessoas o estejam associando a “mensagens apocalípticas”.


Nota 2: Algo parecido aconteceu em Beirute. <Veja aqui!>






quarta-feira, 21 de março de 2012

Thor Batista chega a delegacia no Rio

Filho do empresário Eike Batista se envolveu em acidente no último final de semana, que resultou na morte de um ciclista 



O filho do empresário Eike Batista, Thor Batista, chegou na manhã de hoje à delegacia de Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele irá prestar depoimento sobre o acidente que matou um ciclista no último final de semana na BR-040.

Ontem, no Twitter ( @Thor631 ), Thor Batista deu a sua versão para o acidente. Ele ainda mostrou o ferimento em uma foto e relatou todo o acidente em posts numerados.



De acordo com o jovem, que dirigia um carro de luxo quando atropelou um homem no último sábado, "o forte impacto quebrou o para-brisa, provocando cortes no corpo e impossibilitando a visão". Isso, segundo Thor, o impossibilitou de prestar socorro à vítima.

Boechat: pai deve sempre defender os filhos?

No entanto, uma nova testemunha disse que o atropelamento ocorreu no acostamento, contradizendo declarações anteriores de Thor.

O caso 

O ajudante de caminhão Wanderson Pereira dos Santos, de 30 anos, não resistiu aos ferimentos ao ser atingido pelo carro de Thor.

O impacto acabou amassando a lataria do veículo, que não foi periciado. O advogado de Thor o recolheu e se comprometeu a não fazer alterações. O caso foi registrado como homicídio culposo.









fonte: Band.com

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Novo visual de Lula provoca manifestações de carinho



Sensibilizados pela divulgação da imagem de Luiz Inácio Lula da Silva sem cabelo e barba, admiradores e companheiros de partido divulgaram novas mensagens de apoio pela internet ao ex-presidente, que faz tratamento quimioterápico contra um câncer de laringe. Pelo Twitter, o deputado federal e ex-presidente do PT Ricardo Berzoini (@ricardoberzoini) afirmou que Lula "fez barba e cabelo, e o bigode será em 2012, na eleição municipal".
Horas depois, Berzoini chegou a discutir, pelo Twitter, com uma usuária que o acusou de "usar a doença (de Lula) com fins políticos". Ao estadão.com.br, ele esclareceu que usou o ditado "barba, cabelo e bigode" como parte de "uma brincadeira típica de redes sociais".


"É uma frase bem-humorada de superação e enfrentamento de uma adversidade", disse o deputado, que confirmou que Lula deve apoiar o partido nas disputas pelas prefeituras no ano que vem. "Ele está bem disposto e, se estiver bem, vai participar da campanha."

Também escreveram mensagens de apoio o ministro da Pesca, Luiz Sérgio (@depluizsergio) e o atual presidente nacional do PT, Rui Falcão (@rfalcao13). "Força, companheiro Lula e Marisa!", escreveu Falcão.

Repercussão internacional. A cena fotografada por Ricardo Stuckert - que acompanhou Lula desde o início de seu governo, em 2003 - foi reproduzida por agências de notícias internacionais e sites de grandes jornais do mundo. A imagem foi publicada no topo da página principal do espanhol El País (elpais.com), que relatou que o ex-presidente apareceu "calvo e sem barba, mas com bigode e sorridente".

O argentino La Nación (lanacion.com.ar) também estampou a foto de Lula em sua página principal, lembrando que sua barba chegou a ser um símbolo e objeto de provocações na campanha presidencial de 1989. Mais de 50 leitores do jornal publicaram mensagens de apoio ao ex-presidente na página.

O Clarin (clarin.com), também da Argentina, relata que a ex-primeira-dama Marisa Letícia raspou a barba com paciência e ternura, dando a Lula "uma aparência completamente diferente". O francês Le Figaro (lefigaro.fr) reproduziu informações da agência France-Presse, avaliando que "o resultado é uma mudança radical da imagem que o caracterizou por décadas o carismático Lula".










fonte: Bondenews

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ganhador da Mega-Sena em Goiânia fez aposta em caixa preferencial


Gerente da casa lotérica acredita na possibilidade de ganhador ser idoso.
Loteria existe há 10 anos e está localizada na Avenida Bernardo Sayão.




O ganhador do prêmio de mais R$ 21 milhões da Mega-Sena em Goiânia ainda não foi identificado.  A gerente da loteria na qual o jogo foi registrado, Geysa Modesto, chamou a atenção para o fato de que o registro foi feito em um caixa preferencial: “Temos só o registro do terminal no qual foi realizado o jogo, por ter sido em um preferencial há a possibilidade de ser um idoso, por exemplo”, conta a gerente. O prêmio saiu para apenas um apostador da capital.

De acordo com ela, outro ganhador foi contemplado com um prêmio de mais de R$ 12 mil no jogo da Timemania. Segundo a gerente, a loteria existe há dez anos e há dois está localizada na Avenida Bernardo Sayão. Geysa conta ainda que o lucro do estabelecimento é feito por comissão de registro de jogos e mesmo em casos de haver ganhadores a loteria não recebe por isso.

Os números sorteados na noite de quarta-feira (9) foram: 03 - 14 - 20 - 22 - 49 - 51. O próximo sorteio será no sábado (12) e deve pagar R$ 2,5 milhões.


domingo, 11 de setembro de 2011

Casa Branca recebe ameaças em sua página no Facebook no 11 de Setembro


 A Casa Branca recebeu mensagens com ameaças em sua página do Facebook neste domingo (11), dia em que os Estados relembram os dez anos dos atentados terroristas do 11 de Setembro. As informações são do site da rede americana NBC.

Além das homenagens pelo 11 de Setembro, as mensagens foram divulgadas em um momento em que os Estados Unidos reforçam sua vigilância com medo de possíveis ataques.

“Nós voltaremos Estados Unidos. Um dia apenas 11/09/2011”, dizia uma das mensagens, acompanhada da foto de Osama bin Laden, o saudita mentor dos ataques de dez anos atrás e que foi morto por tropas americanas em maio deste ano.

“Nós iremos atrás de você Casa Branca em breeeeeeeeeeeeeeeve”, ameaçava outra mensagem.

Já a terceira mensagem era mais enfática: “Nós voltaremos em 11/09/2011 para matar todos vocês”.

As mensagens apareceram na página e logo foram tiradas do ar.

Um porta-voz da CIA, o serviço secreto Americano, disse que a agência está avaliando as mensagens para, em seguida, decidir qual atitude irá tomar.

Com a proximidade do aniversário de dez anos do 11 de Setembro, as cidades de Washington e Nova York aumentaram sua vigilância com medo de novos atentados. As autoridades locais receberam informações de que um possível ataque, envolvendo carros-bomba, poderia ocorrer nessas localidades.

fonte: R7

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Osama Bin Laden. Comando dos EUA tinha ordens para matar e executou-as.



A operação militar que acabou com a vida de Osama bin Laden foi uma prova de fogo para as tropas norte-americanas e, talvez, a decisão política mais crítica para Barack Obama. Porém, à medida que os dias passam, outros pormenores, que revelam sérias contradições entre os membros do governo dos EUA, tornam cada vez menos claro o que se passou dentro do complexo fortificado de Bilal Town, na cidade paquistanesa de Abbottabad. Para agravar as incertezas, há ainda a questão das fotos tiradas a Bin Laden para provar a sua morte e que, segundo declarações de Obama ontem à CBS, não vão ser divulgadas.

Existem várias versões para os 40 minutos de operação. A própria Casa Branca levantou ontem ainda mais dúvidas ao adornar com detalhes frescos a sequência dos acontecimentos. Para agravar a situação, existe ainda o suposto recurso à tortura para obter pistas sobre o paradeiro do ex-líder da Al-Qaeda. O uso da tortura foi reconhecido na terça-feira à noite pelo director dos serviços secretos norte-americanos, Leon Panetta, mas coloca em causa a política antiterrorista defendida por Obama, para não falar das promessas eleitorais em relação a Guantánamo.

De acordo com a versão oficial, comunicada pelo porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, Bin Laden não estava armado e nem usou a mulher como escudo humano antes do comando de forças especiais dos EUA o ter alvejado na cabeça e no peito. Este relato põe no entanto em causa o primeiro oferecido pelo principal assessor de segurança do presidente norte-americano, John Brennan, que assegurara que Bin laden esteve "envolvido no tiroteio".

Uma das questões mais intrigantes que agora surgem é porque é que o comando optou por matar o terrorista mais procurado do mundo quando podia tê-lo detido. Mas, estranhamente, é Carney quem responde, deixando, em parte, o seu próprio testemunho em causa. "Ele resistiu. O pessoal norte-americano no terreno comportou-se com o maior profissionalismo e [Bin Laden] foi abatido na operação pela resistência que ofereceu", explicou o porta-voz da Casa Branca.

Leon Panetta, o director da CIA, também falou, em entrevista à NBC, sobre as ordens que lhe foram transmitidas na missão: "Tínhamos autorização para matá-lo, isso estava claro. Mas, também, para o capturar, se durante o confronto, de repente levantasse os braços e se rendesse, caso houvesse essa oportunidade. Mas isso não aconteceu". Panetta disse ainda que apenas existiam 60 a 80% de certeza de que aquele era o esconderijo do líder da Al-Qaeda. "Nunca tivemos provas directas de que ele, de facto, estivesse lá estado ou lá estivesse", justificou.

De dentro do complexo fortificado de Bilal Town, os comandos dos EUA levaram não só o corpo de Bin Laden como também vários computadores e outras fontes de informação. "Existe material escrito, fotografias - há todo o tipo de coisas" disse um oficial dos serviços secretos norte-americanos em anonimato ao "Washington Post". Alguns equipamentos e documentos foram enviados para a sede da CIA, na Virgínia, outros foram transmitidos electronicamente.

Uma das filhas de Bin Laden, de 12 anos, contou que o pai foi capturado vivo e executado pelas forças especiais norte-americanas. O exército paquistanês, que acedeu ao local, uma hora após o ataque dos EUA, encontrou quatro cadáveres e 16 pessoas com algemas de plástico, nove delas eram crianças entre os 2 e os 12 anos.

Fonte: Noticias Google