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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Manifestação com 20 mil pessoas cerca Palácio do Governo em Goiânia



O Palácio Pedro Ludovico, sede administrativa do Governo de Goiás, foi cercado nesta quinta-feira, 20, por um mar de manifestantes que tomou as principais avenidas do centro de Goiânia. Os diferentes grupos organizadores avaliaram em mais de 60 mil o número de manifestantes, enquanto a Polícia Militar, que sobrevoou o protesto todo o tempo, estimou em 20 mil pessoas às 20 horas. Este foi o sexto protesto em Goiânia e o mais pacífico, diferente dos anteriores, onde houve muita violência e danos em 35 ônibus e vários terminais.

No protesto desta quinta, o trânsito de carros de som e passeatas foi liberado pela polícia que distribuiu 10 mil flores brancas ao público. A manifestação se ramificou em várias frentes, direcionadas todas para a sede do governo, já que o Paço Municipal, sede da Prefeitura, fica muito afastado do centro.

O governador Marconi Perillo (PSDB) foi o principal alvo das críticas e palavras de ordem. Cartazes também mostravam insatisfação com medidas da administração do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), a respeito da tarifa do transporte urbano e alterações no Plano Diretor da Capital. Outros alvos foram a presidente Dilma Roussef e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Marco Feliciano (PSC-SP).

Pedras. Na porta do Palácio Pedro Ludovico, alguns manifestantes jogaram pedras em vidros e nos PMs que faziam um cordão cercando praticamente toda a Praça Cívica, onde fica o prédio, com reforço na entrada do Palácio. As pedras não acertaram, mas o grupo foi vaiado pelos demais, que chegaram a se sentar no chão, demonstrando que a iniciativa era de poucos. Mesmo assim, houve correria com a chegada de outro grupo que formava um pequeno pelotão de jovens, todos com panos escondendo o rosto e que marchava no meio da multidão, mas era hostilizado pelos demais com gritos de "sem violência".

Sem prisões. Duas horas depois de iniciada a manifestação, muita gente ainda chegava para o protesto. Os atos de vandalismo ocorreram contra os pontos de ônibus das Avenidas Goiás e Anhanguera, onde o teto de uma das plataformas foi parcialmente danificado. O comandante-geral da corporação, Sílvio Benedito Alves, informou que não houve incidentes graves nem prisões até as 20 horas. A PM escalou 4 mil homens. 

Parabéns Goiânia




segunda-feira, 17 de junho de 2013

PMs se sentam com ativistas durante protesto e são aplaudidos em SP



Durante os protestos em São Paulo, na noite desta segunda-feira, um grupo de cerca de 10 policiais militares acompanharam ativistas e se sentaram na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini. Eles foram aplaudidos por integrantes do protesto.

"Isso é uma demonstração de respeito da Polícia Militar à vontade política da população", diz Matheus Prei, integrante do Movimento Passe Livre e que acompanha os policiais. "Estamos vivendo uma experiência que nunca vivemos. Estamos aprendendo com essa passeata. Quando a gente não é reprimido, a gente consegue manter o controle das pessoas e não tem vandalismo, nem violência."

Cenas de guerra nos protestos em SP


A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão opressiva da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Cronologia do protesto em SP


Segundo a administração pública, em quatro dias de manifestações mais de 250 pessoas foram presas, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. No dia 13 de junho, bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar na rua da Consolação deram início a uma sequência de atos violentos por parte das forças de segurança, que se espalharam pelo centro.

O cenário foi de caos: manifestantes e pessoas pegas de surpresa pelo protesto correndo para todos os lados tentando se proteger; motoristas e passageiros de ônibus inalando gás de pimenta sem ter como fugir em meio ao trânsito; e vários jornalistas, que cobriam o protesto, detidos, ameaçados ou agredidos.
População ficou no meio de confronto em SP.

No dia seguinte ao protesto marcado pela violência, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que via "ações coordenadas" oportunistas no movimento, reiterou "a defesa do direito de ir e vir" da população, mas garantiu que não permitirá que os manifestantes prejudiquem a circulação de veículos e pessoas. No mesmo dia, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que a polícia deve ser investigada por abusos cometidos, mas não deixou de criticar a ação dos ativistas.

As agressões da polícia repercutiram negativamente na imprensa e também nas redes sociais. Vítimas e testemunhas da ação violenta divulgaram relatos, fotografias e vídeos na internet. A mobilização ultrapassou as fronteiras do País e ganhou as ruas de várias cidades do mundo. Dezenas de manifestações foram organizadas em outros países em apoio aos protestos em São Paulo e repúdio à ação violenta da Polícia Militar. Eventos foram marcados pelas redes sociais em quase 30 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota.

O prefeito da capital havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. A proposta foi aprovada, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.


domingo, 20 de novembro de 2011

Dilma diz que "pobreza no Brasil tem face negra e feminina"


No encerramento do Encontro Ibero-Americano de Alto Nível, em comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes, a presidente Dilma Rousseff afirmou que "a pobreza no Brasil tem face negra e feminina". A declaração, feita neste sábado em Salvador, destaca a necessidade de reforçar as políticas públicas de inclusão e as ações de saúde da mulher.

Em discurso, a presidente explicou por que as políticas de transferência de renda têm foco nas mulheres, e não nos homens: elas "são incapazes de receber os rendimentos e gastar no bar da esquina". Dilma realçou que, nos últimos anos, inverteu-se uma situação que perdurava no país, quando negros, índios e pobres corriam atrás do Estado em busca de assistência. Agora, o Estado é que vai em busca dessas populações, declarou.

Ao defender a necessidade de ações de combate à pobreza, a presidente citou o Programa Brasil sem Miséria, cujo objetivo é retirar 16 milhões de pessoas da pobreza extrema. No discurso, ela destacou ainda a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em 2003, e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, no ano passado, além da obrigatoriedade do ensino da história afro-brasileira nas escolas.

Dilma apontou também o fato de a data do evento coincidir com a da morte do líder negro Zumbi dos Palmares e com o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado no domingo. Além disso, no período ainda se comemorou os 123 anos do fim institucional da escravidão no Brasil.

Nestes 123 anos, disse Dilma, "sofremos as consequências dramáticas da escravidão" e foi preciso combater uma delas, a sistemática desvalorização do trabalho escravo, que resultou na desvalorização de qualquer tipo de trabalho no País. A característica mais marcante da herança da escravidão foi a invisibilidade dos mais pobres, enfrentada nos últimos anos a partir da certeza de que o crescimento do país só seria possível com distribuição de renda e inclusão social, acrescentou.

No entanto, para a presidente existe uma "boa herança" da escravidão, que é o fato de milhões e milhões de negros terem construído ao longo dos anos a nacionalidade brasileira, junto com as populações indígenas, europeias e asiáticas. Segundo Dilma, essa "biodiversidade" cultural é uma das maiores riquezas do Brasil, e uma grande contribuição para o mundo, especialmente quando ressurgem em vários países preconceitos contra imigrantes.

Ela ressaltou que, embora o País tenha a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria, a discriminação persiste: os afrodescendentes são os que mais sofrem com a pobreza e o desemprego. No discurso, além de lembrar o papel central do Continente Africano na política externa brasileira, Dilma enfatizou o fato de a América do Sul ser um dos continentes que mais crescem, apesar da crise financeira que começou em 2008. De acordo com a presidente, a adoção de políticas desenvolvimento do mercado interno pelos países sul-americanos tem sido uma barreira contra os efeitos da crise.






fonte: Terra

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Genoma mostra que aborígenes foram os primeiros a sair da África

Sequenciamento de genoma de tufo de cabelo de 100 anos de idade contradiz teoria de migração do ser humano moderno

Um novo estudo publicado esta semana fornece provas de que os aborígenes australianos são descendentes dos primeiros Homo sapiens a deixar a África, cerca de 24 mil anos antes de seus semelhantes europeus e asiáticos.

A descoberta contraria a teoria até agora aceita de que todos os humanos modernos derivaram de uma única onda migratória, que saiu da África em direção a Europa, Ásia e Austrália.

"A história genética dos aborígenes australianos é importante para entendermos a evolução do ser humano moderno. Mas existem duas hipóteses, a de uma única onda migratória e a de múltiplas ondas migratórias. Os resultados deste estudo apoiam a segunda hipótese e mudam o nosso entendimento sobre as migrações humanas na Austrália", disse Wang Jun, um dos coautores do estudo, ao iG.

Publicada na revista Science nesta quinta-feira (22), a pesquisa foi possível graças a uma amostra de cabelo doado por um aborígene de Goldfields (Austrália), no início do século 20 e que estava em um museu na Universidade de Cambridge desde 1923.

“Esse estudo muda o nosso entendimento sobre as migrações humanas em direção à Ásia e mostra que os aborígenes australianos eram parte de uma das primeiras migrações para o leste, algo por volta de 62 mil a 75 mil anos atrás”, disse o coautor do estudo Morten Rasmussen, da Universidade de Copenhagen.

A pesquisa colocou em linha os DNAs do aborígene, do chinês, do africano e do europeu, e o resultado da comparação apontou que ocorreram no passado pelo menos duas ondas migratórias distintas.

Graças ao sequenciamento do genoma, os pesquisadores demonstraram que os aborígenes australianos são descendentes diretos da expansão dos primeiros humanos em direção à Ásia, ocorrida há cerca de 70 mil anos.

Segundo o autor principal da pesquisa, Eske Willersley, da Universidade de Copenhagen, enquanto os ancestrais de europeus e asiáticos estavam parados na África ou no Oriente Médio, os ancestrais dos aborígenes australianos se espalhavam rapidamente.

“Os dados genéticos não nos permitem dizer nada sobre geografia, sobre como eles chegaram à Austrália, mas dados arqueológicos sugerem que os aborígenes australianos se moveram ao longo da costa da Ásia. Não se sabe exatamente como eles cruzaram o oceano, mas certamente utilizaram barcos, balsas ou algo do tipo”, afirmou Rasmussen.

Outro estudo reforça a ideia de múltiplas ondas migratórias

Outra pesquisa também publicada nesta quinta-feira e que analisou o DNA de populações na Ásia, na Austrália e em algumas ilhas do Sudeste Asiático reforça a ideia de que o ser humano moderno se estabeleceu na Ásia em mais de uma migração.

Publicada no American Journal of Human Genetics, a pesquisa encontrou traços genéticas do chamado homem de Denisova nas populações aborígenes da Austrália e nas Filipinas, sugerindo que eles saíram da Sibéria em direção ao sudeste da Ásia, cruzando com os antepassados de populações de hoje há cerca de 44 mil anos.

Segundo os pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, os resultados podem ser explicados por pelo menos duas ondas migratórias: aquela que deu origem às populações aborígenes que atualmente vivem no Sudeste Asiático e na Oceania e outra que deu origem aos seus parentes do Leste Asiático que hoje formam a principal população do Sudeste do continente.

O DNA do Denisova foi decifrado no ano passado, depois que um dedo desse hominídeo foi encontrado em uma caverna no Sul da Sibéria.

fonte: IG