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domingo, 5 de maio de 2013

Especialistas dizem: Reduzir maioridade penal é 'atestado de falência'


Reduzir a maioridade penal é reconhecer a incapacidade do Estado brasileiro de garantir oportunidades e atendimento adequado à juventude, segundo o advogado Ariel de Castro Alves. Especialista em políticas de segurança pública e ex-integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), ele afirmou que isso "seria um atestado de falência do sistema de proteção social do País".

ONG: ideia de que legislação é branda com adolescentes é mito. Jovem de 16 anos é capaz de entender o crime, diz psiquiatra Promotor: aumento de crimes justifica redução da maioridade penal.

O debate sobre o tema voltou à tona nos últimos dias, após o assassinato do estudante Victor Hugo Deppman, 19 anos, durante um assalto em frente a sua casa no bairro de Belém, zona leste de São Paulo. O agressor era um adolescente de 17 anos que, dias depois, completou 18. Com isso, ele cumprirá medida socioeducativa, pois o crime foi cometido quando ainda era menor.

Além disso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi a Brasília esta semana para defender alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal com o objetivo de tentar coibir a participação de adolescentes em crimes. Uma das propostas é ampliar para até oito anos o período de internação do menor em conflito com a lei.

Para Ariel de Castro, membro do Movimento Nacional de Direitos Humanos, defender a diminuição da maioridade penal "no calor da emoção" não garante o combate às verdadeiras causas da violência no país. Para ele, a certeza da punição é o que inibe o criminoso, e não o tamanho da pena. Castro alerta que uma das consequências da redução da maioridade penal seria o aumento dos crimes e da violência.

"É uma medida ilusória que contribui para que tenhamos criminosos profissionais cada vez em idade mais precoce, formados nas cadeias, dentro de um sistema prisional arcaico e falido", disse. "No Brasil existe a certeza da impunidade, já que apenas 8% dos homicídios são esclarecidos. Precisamos de reestruturação das polícias brasileiras e melhoria na atuação e estruturação do Judiciário e não de medidas que condenem o futuro do Brasil à cadeia", completou.

O especialista também enfatizou que o índice de reincidência no sistema prisional brasileiro, conforme dados oficiais do Ministério da Justiça, chega a 60%, o que, em sua opinião, indica "claramente" que se trata de um sistema incapaz de resolver a situação. Já no sistema de adolescentes, por mais crítico que seja, estima-se a reincidência em 30%.

"Se colocar adultos nas cadeias de um sistema falido não resolveu o problema da violência, e essas pessoas voltam a cometer crimes após ficarem livres, por que achamos que prender cada vez mais cedo será eficiente?", questionou. Para o diretor adjunto da organização não governamental (ONG) Conectas, que trabalha pela efetivação dos direitos humanos, Marcos Fuchs, modificar a legislação atual para colocar jovens na cadeia reforça a ideia do "encarceramento em massa" o que, em sua avaliação, não é eficiente. Ele ressalta que os jovens brasileiros figuram mais entre as vítimas da violência do que entre os autores de crimes graves.

"Os números da Fundação Casa, em São Paulo, mostram que latrocínio e homicídio representam, cada um, menos de 1% dos casos de internação de jovens para cumprimento de medida socioeducativa, sendo a maioria dos casos de internação por roubo e tráfico de drogas", destacou. "Além disso, o último Mapa da Violência indica que a questão a ser encarada do ponto de vista da política pública é a mortalidade de jovens, sobretudo, dos jovens negros, e não a autoria de crimes graves por jovens", completou.

Segundo o último Mapa da Violência, de cada três mortos por arma de fogo, dois estão na faixa dos 15 a 29 anos. De acordo com a publicação, feita pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, os jovens representam 67,1% das vítimas de armas de fogo no País.



fonte: Terra



 
 
 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Morre Steve Jobs, o homem que transformou os hábitos de várias gerações, o co-fundador Apple


Steven Paul Jobs, co-fundador e presidente da Apple Computer, um dos maiores inovadores da indústria informática, morreu nesta quarta-feira após transformar os hábitos de consumo de várias gerações.

Jobs revolucionou o mundo dos computadores com o lançamento do Macintosh e a indústria de consumo com três dos aparelhos eletrônicos mais bem-sucedidos da história: o iPod, o iPhone e o iPad.

Nascido no dia 24 de fevereiro de 1955 em San Francisco (Califórnia), foi adotado aos poucos meses de vida por Paul e Clara Jobs.

Após terminar o bacharelado no instituto Homestead de Mountain View, ingressou no Reed College em Portland, Oregon, mas abandonou os estudos universitários um semestre mais tarde.

Nessa época, se interessou pela filosofia e a contracultura, chegando a viajar à Índia na busca por iluminação espiritual.

Após alguns estágios em 1974 na empresa Hewlett-Packard em Palo Alto, foi contratado pela Atari Inc. como desenvolvedor de videogames.

Na companhia do engenheiro Steve Wozniak, um velho amigo do instituto com quem compartilhava sua paixão pela eletrônica e pela mística religiosa, e de Ronald Gerald Wayne, se dedicou desde 1974 ao desenvolvimento de um computador dirigido a usuários sem grandes conhecimentos informáticos.

A capacidade visionária de Jobs e a preparação técnica de Wozniak deram frutos em 1976 com a criação em uma garagem do Apple I, que consistia em um teclado combinado a um microprocessador e conectado a um monitor. Nesse mesmo ano, fundaram a Apple Computer.

O Apple II se transformou no primeiro computador de consumo em massa, os pedidos choveram e Apple passou a ser a empresa de maior crescimento nos EUA, faturando US$ 2 bilhões em 1983.

Após o Apple II, Jobs e Wozniak revolucionaram o mundo da indústria informática com o lançamento em 1984 do Macintosh, considerado o primeiro computador que responde ao conceito de PC (computador pessoal).

A nomeação em 1983 do ex-presidente da Pepsi-Cola, John Sculley, como principal executivo da empresa, trouxe as primeiras desavenças entre Jobs e a companhia da maçã.

Além disso, os atritos com seu antigo companheiro e amigo, Steve Wozniak, tiveram como resultado a saída em 1985 deste último, mesmo ano em que Jobs também apresentou sua demissão.

Após abandonar a Apple, Jobs criou em 1986 os estúdios de animação Pixar, fundados como a divisão de animação da Lucas Film, comprados de George Lucas por US$ 50 milhões.

Em 1989, a nova empresa conseguiu o Oscar de Melhor Filme de Animação com o curta-metragem "Tin Toy" e em 1996 o segundo com "Toy Story", o primeiro longa-metragem realizado integralmente por computador.

Em 2005, Jobs vendeu a Pixar para a Disney por US$ 7,4 bilhões, o que o transformou no maior acionista da Disney.

Sua outra aventura empresarial, a NeXTComputer, foi menos bem-sucedida e fechou sua divisão de máquinas em 1993, após lançar seu primeiro computador em 1989.

Steve Jobs voltou a Apple em dezembro de 1996 com o cargo de assessor interino e mais tarde como presidente com o salário simbólico de US$ 1, o que fez entrar no Livro Guiness dos Recordes como o executivo mais mal remunerado do mundo.

Em agosto de 1997 anunciou um acordo com sua até então rival Microsoft, que investiu US$ 150 milhões na Apple.

O lançamento em 1998 do iMac, um PC de design vanguardista e computador multimídia completo, levantou a companhia com um sucesso de vendas que valorizou em 50% as ações da Apple. O Imac teve no Ibook sua continuação no mercado dos computadores portáteis.

A consolidação da Apple como marca de referência da eletrônica de consumo começou em 2001 com o lançamento do iPod, um reprodutor de música e conteúdos multimídia que venderam mais de 220 milhões de unidades até 2009.

Seu seguinte passo para transformar os produtos da companhia em ícones do consumo mais sofisticado e fetichista foi o iPhone, um telefone inteligente de tela táctil com conexão à internet, que foi lançado em 2007 e vendeu mais de 50 milhões de unidades até abril de 2010.

Já o iPad, um computador tipo tablet com conexão sem fio à internet, vendeu mais três milhões de unidades no mundo todo nos primeiros três meses no mercado.

Steve Jobs, que já tinha sofrido um câncer de pâncreas, anunciou no dia 14 de janeiro de 2009 sua retirada temporária da Apple. Após receber um transplante de fígado e experimentar uma melhoria retomou seu trabalho em junho de 2009.

Porém, no dia 17 de janeiro de 2011, anunciou novamente uma baixa temporária e abandonou o cargo de executivo-chefe no dia 25 de agosto de 2011, embora tenha permanecido na à frente da diretoria.

A resposta dos mercados perante as baixas médicas e seu abandono das responsabilidades deixaram claro o quão intimamente ligado está o nome de Steve Jobs ao futuro da Apple.



fonte: Terra